{"id":7835,"date":"2012-08-21T22:38:32","date_gmt":"2012-08-21T21:38:32","guid":{"rendered":"http:\/\/barreiroweb.eu\/?p=7835"},"modified":"2012-08-21T22:38:32","modified_gmt":"2012-08-21T21:38:32","slug":"sonhos-com-pe-por-manuela-fonseca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/arquivo.barreiroweb.net\/?p=7835","title":{"rendered":"Sonhos com P\u00e9 &#8211; Por: Manuela Fonseca"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><a href=\"http:\/\/barreiroweb.eu\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/manuelaF.jpg\" rel=\"lightbox[7835]\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-thumbnail wp-image-1288\" title=\"manuelaF\" src=\"http:\/\/barreiroweb.eu\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/manuelaF-150x150.jpg\" alt=\"\" width=\"150\" height=\"150\" srcset=\"https:\/\/arquivo.barreiroweb.net\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/manuelaF-150x150.jpg 150w, https:\/\/arquivo.barreiroweb.net\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/manuelaF-50x50.jpg 50w, https:\/\/arquivo.barreiroweb.net\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/manuelaF-70x70.jpg 70w, https:\/\/arquivo.barreiroweb.net\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/manuelaF-55x55.jpg 55w\" sizes=\"auto, (max-width: 150px) 100vw, 150px\" \/><\/a>Nota pr\u00e9via: amiga de Mariana e Manuel Balseiro h\u00e1 quatro d\u00e9cadas, foi com muita alegria que os vi receber, recentemente, a Condecora\u00e7\u00e3o \u201cBarreiro Reconhecido \u2013 Educa\u00e7\u00e3o\u201d e fiquei feliz por essa homenagem da Autarquia pela qual cumprimento todos os agraciados, nas \u00e1reas em que servem de exemplo a cada um de n\u00f3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Passo a referir-me a Mariana, ceramista galardoada, escritora que faz destas duas Artes a sua forma de nos educar, sob o ponto de vista est\u00e9tico; se os objectos nos trazem um mundo on\u00edrico, que me lembram o universo de Dali, que dizer desses dois livros que escreveu, um de contos, infelizmente in\u00e9dito, com Pref\u00e1cio do saudoso Bernardo Santareno, obra assinada como Mariana Vasques, <em>Horizonte Raso<\/em> e o outro, a que a seguir me refiro, intitulado <em>Sonhos com P\u00e9<\/em> (Lisboa. [Sem indica\u00e7\u00e3o de Editora], 2004, 137 pp..)? Sob o pseud\u00f3nimo de Mariana Monte Real.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muito bonita a capa de Gon\u00e7alo Ribeiro, de predom\u00ednio azul, motivos a negro sobre a primeira cor, os mais evidentes na figura\u00e7\u00e3o de um p\u00e9 em tr\u00eas posi\u00e7\u00f5es, uma crian\u00e7a, a branco \u2013 a de que falar\u00e1 a obra, a pr\u00f3pria narradora, junto de um peda\u00e7o, tamb\u00e9m negro, a sua velha e amiga \u00e1rvore, na terra natal, Mina de S. Domingos (onde a minha fam\u00edlia materna conheceu a pequena Mariana e pela qual tantas afinidades criei, ambas mulheres, no Barreiro).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Profundamente ligada \u00e0 transcend\u00eancia, dedica o livro, na p\u00e1gina [5]:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"right\">\u201c<strong>A meus pais que me esperam <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"right\"><strong>Com amor<\/strong>\u201d<strong><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pouco depois: \u201c\u00c0 minha terra natal, a Mina de S. Domingos, levo o meu protesto e digo-lhe que nunca foi aldeia, pois nasceu vila. Agora, roubada nas suas riquezas, podem, sim, chamar-lhe aldeia (\u2026). E \u00e0s gera\u00e7\u00f5es que me sucedem, lembro que nas margens do lago por n\u00f3s amado, podem, ao entardecer, imbuir-se de alento, al\u00edvio na luta e de paz, paz presente em mim, nesta alegria de crer!\u201d (P.7.)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As unidades narrativas de espa\u00e7o e tempo fundem-se, na quietude do \u201clago\u201d, a Tapada Grande, um dos cen\u00e1rios naturais de sossego maior neste Pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As saudades dos progenitores, materializadas na m\u00e3e: \u201cMinha m\u00e3e, doce mem\u00f3ria! N\u00e3o quero trazer-te queixumes, quero, sim, cantar a alegria de ter nascido de ti, mulher b\u00edblica, arrancada \u00e0s Escrituras.\u201d (P. 9.)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na primeira parte, o verbo, na forma negativa, d\u00e1-lhe coragem; na segunda, a afirma\u00e7\u00e3o \u00e9 reiterada pela perifr\u00e1stica, corroborada pelo adv\u00e9rbio \u201csim\u201d, na decis\u00e3o irrevers\u00edvel que toma: falar da m\u00e3e, dos seus, de si.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Surge algo curioso: as frases sucedem-se, despertam imagens, \u201ca avivar recorda\u00e7\u00f5es.\u201d (P.15.) Surgidas, misteriosamente, para deleite da personagem-narradora que conta, um pouco antes, como palavras e outros sinais que as completam se abeiraram dela. (Cf. pp. 11-13.)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso leva a crian\u00e7a-Mariana aos caminhos da sabedoria que lembra atrav\u00e9s de um livro: \u201ca B\u00edblia Sagrada, a Palavra de Deus, que sustenta o mundo.\u201d (P. 18.)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Numa L\u00edngua Portuguesa quase sempre escorreita, a adjectiva\u00e7\u00e3o tem papel preponderante na expressividade, pr\u00f3pria para o destinat\u00e1rio (o leitor virtual), aderir \u00e0 mensagem e, qui\u00e7\u00e1, a continu\u00e1-la.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cria algo que a acompanha, at\u00e9 adulta, que denomina \u201c<strong><em>No Jardim dos meus contos<\/em><\/strong>\u201d (pp. 21-41), onde introduz outro interlocutor na obra, Naroio, e a narradora se designa a si pr\u00f3pria por Nicha \u2013 nomes com uma conota\u00e7\u00e3o familiar que nos aproxima deles.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c \u2013 Na verdade nem tu \u00e9s Ad\u00e3o nem eu sou Eva, mas este jardim foi criado, um dia, para n\u00f3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Quem sabe, Nicha!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Que bom estarmos aqui\u2026 \u00c9 t\u00e3o calmo, t\u00e3o recolhido\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 \u00c9 um belo cantinho para me falares dos teus sonhos, quase sempre voadores\u2026\u201d (P. 21).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O di\u00e1logo prossegue, feliz, entusiasta, apelativo, quase surrealista:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c \u2013 Vamos para o tear?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 O tear, qual?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 O maior, Nicha! Colcha, manta ou toalha?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Olha, colcha, toalha e manta!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(\u2026)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Ent\u00e3o, Nicha, em pinceladas de mar e oiro, que um dia ser\u00e1 restolho, de l\u00edmpido azul sempre coberto. Ondas de azul e oiro, as cores da nossa terra do Sul.\u201d (P. 23.)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entrela\u00e7ar o passado: \u201cMinha pequena amiga, ouvi eu da oliveira, n\u00e3o estejas triste.\u201d (P. 29.)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Animizada, a oliveira passa a ser \u201cpessoa de papel\u201d, personagem que acolhe e dialoga com Mariana. E, porque \u00e9 velha, ensina-lhe coisas diversas, entre as quais Hist\u00f3ria Local: \u201cEsta regi\u00e3o era quase deserta quando a tua terra come\u00e7ou a formar-se. Ent\u00e3o foi um grande alvoro\u00e7o, quando chegou uma multid\u00e3o munida de p\u00e1s e picaretas (\u2026) para os homens morenos e rudes do Alentejo.\u201d (P. 33.)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E a \u00e1rvore descreve, com precis\u00e3o, gente diferente que acompanhou os alentejanos \u00e0quele lugar: \u201cE eram j\u00e1 muito avan\u00e7ados em maquinaria e engenharia esses outros, altos, loiros de olhos azuis que aqui chegaram, os ingleses\u2026\u201d (Idem.)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Par os rebentamentos de min\u00e9rio fazia falta p\u00f3lvora que, para a ditadura, ignorante e coerentemente inimiga do povo, poderia ser um perigo que tornava suspeito quem a tivesse, como a oliveira conta \u00e0 pequena:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201caconteceu \u00a0que h\u00e1 relativamente pouco tempo houve em Lisboa um atentado \u00e0 bomba que visava uma das figuras pol\u00edticas mias relevantes do pa\u00eds. As averigua\u00e7\u00f5es da (\u2026) Secreta encontraram pistas que conduziram at\u00e9 aqui, ao fornecedor de p\u00f3lvora. (P. 37.)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cClaro que neste caso a aplica\u00e7\u00e3o era outra. Tratava-se de rebentar uma rocha que estava a impedir o avan\u00e7o da abertura de um po\u00e7o.\u201d (P. 38.) Rocha que quem nada sabia do mundo do trabalho n\u00e3o via nem mandava ver e, ao inv\u00e9s, fazia prender quem tinha material para a destruir \u2013 era o mais f\u00e1cil e proveitoso para os cobardes, detentores do poder: o guardador do explosivo teve pena severa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como no Barreiro, situa\u00e7\u00e3o que a garota j\u00e1 conhecia:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cSim, como no Barreiro, tamb\u00e9m por aqui se passam coisas graves, mas que eu n\u00e3o entendo muito bem\u2026\u201d (P. 40.)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cSabes que v\u00e3o percorrer dezassete quil\u00f3metros at\u00e9 ao porto fluvial do Pomar\u00e3o, no Guadiana, onde o min\u00e9rio \u00e9 despejado em grandes barcos que v\u00eam busca-lo para ser tratado na CUF?\u201d (Idem.)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A conjuga\u00e7\u00e3o perifr\u00e1stica utilizada em \u201cv\u00e3o percorrer\u201d transmite-nos, em sons onomatopaicos, o movimento dos comboios entre a Mina de S. Domingos e a aldeia \u00e0 beira do Guadiana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E ningu\u00e9m ilude a crian\u00e7a quanto \u00e0 explora\u00e7\u00e3o do Homem pelo hom\u00fanculo ganancioso: \u201cSei que a empresa [a Mason and Barry] tem lucros fabulosos e paga sal\u00e1rios de mis\u00e9ria.\u201d (P. 41.)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A centen\u00e1ria \u00e1rvore personificada continua a educa\u00e7\u00e3o c\u00edvica da menina: \u201cComo j\u00e1 te disse, estas habita\u00e7\u00f5es foram pensadas para os mineiros, sem terem em considera\u00e7\u00e3o a fam\u00edlia, quantas vezes numerosa (\u2026) Sabemos que o sal\u00e1rio do mineiro \u00e9 sal\u00e1rio de mis\u00e9ria.\u201d (P. 43.)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A hist\u00f3ria volta ao presente do casal:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c \u2013 \u00c9 bom recordar a nossa meninice. (\u2026) No meu caso n\u00e3o tinha mesmo com quem brincar. (p. 51.)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(\u2026)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 \u00d3 Naroio, como \u00e9 que tu imaginavas o c\u00e9u e a terra? Conta-me l\u00e1 outra vez\u2026 (Idem.)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Isso era o forte do meu imagin\u00e1rio\u2026 Arquitectava eu que a terra era uma imensa plataforma circular, circundada por um muro baixo, a altura suficiente para que as crian\u00e7as n\u00e3o ca\u00edssem l\u00e1 para baixo, mas que pudessem espreitar. E fazia um esfor\u00e7o imenso para imaginar o infinito.\u201d (Pp. 51-52.)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E assim, dois actores, privados do sentido da vis\u00e3o, esclarecem o narrat\u00e1rio acerca da forma, diferente e bela, do encontro com o Planeta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E, um pouco mais \u00e0 frente, os problemas e v\u00edcios das pessoas sentidos por Nicha:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c \u2013 Todos os conflitos da mente, todos os conflitos do cora\u00e7\u00e3o com os seus crimes (\u2026) sobem e condensam-se. Parecem tomar corpo em conjunto de ideias macabras, t\u00f3xicos da alma\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Mas\u2026, minha Nicha, n\u00e3o aparece um raio de luz no meio das trevas?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Sim, j\u00e1 o ia dizer. A luz do Bem est\u00e1 presente, mas sente-se que h\u00e1 uma for\u00e7a raivosa, ainda que ingl\u00f3ria, que se levanta e ruge contra Ele.\u201d (P. 55.)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0Regressa a Mina de S. Domingos, local, primeiro, do encontro da Est\u00e9tica e da Ci\u00eancia pela outrora menina: \u201cQuando de manh\u00e3 minha m\u00e3e me despertava para ir para a escola, eu lembrava-me que deixara a terra \u00e0s escuras na noite anterior. No momento de acordar j\u00e1 o sol brilhava no c\u00e9u.\u201d (P. 58.)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E, de novo, a espiritualidade ligada \u00e0 Igreja Cat\u00f3lica, o Movimento Carism\u00e1tico abordado, durante um jantar entre amigos, por um deles, Jo\u00e3o: \u201cA verdade \u00e9 que o Renovamento carism\u00e1tico surge no seio da Igreja Cat\u00f3lica como express\u00e3o do esp\u00edrito conciliar. Ele corresponde, porque responde (\u2026) a uma efus\u00e3o profundamente renovadora do Esp\u00edrito Santo. Estamos em meados da d\u00e9cada de sessenta.\u201d (P. 68.)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E, parece, a narradora passa, tamb\u00e9m, a crente nas teorias de S. Francisco de Assis, para um di\u00e1logo nocturno, irresist\u00edvel, com um gato: \u201cBom, (\u2026) se eu fosse tua dona punha-te o nome de Romeu (\u2026). A hist\u00f3ria \u00e9 bonita e havias de ver como te ficava a matar\u2026 Mas vejo que te agradou\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Agradou, sim. O que tu n\u00e3o sabes \u00e9 que eu j\u00e1 conhe\u00e7o a hist\u00f3ria. Vi o filme ao colo da av\u00f3. Ah, ah, ah, ah\u2026\u201d (P. 77.)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cRomeu estava sentado sobre o teclado (&#8230;). Agora sim, oi\u00e7o a campainha da porta que ressoa alegremente. E foi ent\u00e3o que me endireitei, gemendo um pouco pela posi\u00e7\u00e3o inc\u00f3moda em que tinha adormecido. (P. 91.)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Volta ao espa\u00e7o-Mina de S. Domingos. Num registo cinematogr\u00e1fico, excerto de um cap\u00edtulo que \u00e9 \u201cComo num ecr\u00e3 de recorda\u00e7\u00f5es\u201d (p. 93), \u201c<strong>Mem\u00f3rias em tons de Sul<\/strong>\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ai, havia garotos portugueses de condi\u00e7\u00e3o social mais elevada em conv\u00edvio com os brit\u00e2nicos, e Mariana junto deles, quase posta \u00e0 margem, salva pelas palavras, s\u00e1bias, igualit\u00e1rias de Mikey: \u201cEla pode brincar! Eu gosto de tu\u201d (\u2026) Ela ter casaco igual ao nosso\u2026\u201d (P. 101.) Bem diferente, ali\u00e1s: \u201cO tecido e a cor eram, sim, muito semelhantes, mas eu n\u00e3o lhes disse que o meu casaco era um d\u00f3lman do meu pai, virado porque ro\u00e7ara.\u201d (Pp. 101-102.)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E pouco depois: \u201cTr\u00eas bancos corridos, um pequeno estrado e nessa tarde de domingo t\u00ednhamos concerto. Mestre Lopes, com vistosa farda, batuta em riste, regia. (\u2026) Os m\u00fasicos, com seus metais reluzentes, seguiam atentamente pauta e maestro. Como borboletas atra\u00eddas pela luz, jovens e crian\u00e7as volteavam, sa\u00edam por uma alameda e ressurgiam por outra. O corte de t\u00e9nis tamb\u00e9m se animava com a presen\u00e7a dos ingleses e era sempre not\u00e1vel um jovem casal, espl\u00eandido de beleza e de agilidade.\u201d (P. 102.)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Chega um momento de belo horr\u00edvel, com se v\u00edssemos e viv\u00eassemos um filme \u2013 de noite, junto ao rio, Mariana e um grupo de amigos s\u00e3o apanhados por uma trovoada medonha em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 qual os adjectivos d\u00e3o \u00eanfase ao terror: \u201cEm poucas horas, o meigo e doce Guadiana transformara-se num caudaloso rio turvo e medonho. Era agora um caudal de \u00e1gua lamacenta, revolta e tumultuosa. Na corrente r\u00e1pida passavam objectos estranhos (\u2026). Impressionante, um cavalo, seguido a pouca dist\u00e2ncia por ovelhas, toros gigantescos de madeiras, \u00e1rvores arrancadas pela raiz, monturos de lenha. Grandes ab\u00f3boras, vegeta\u00e7\u00e3o hort\u00edcola com seus frutos. Era um mar de destro\u00e7os.\u201d (P. 108.)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No fim da aventura, ela e os amigos salvos da tempestade com dificuldade: \u201cComo se estivesse a reviver um filme, os meus olhos voltavam-se de margem para margem (\u2026) at\u00e9 ao negro das grutas.\u201d (P. 112.)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Livro-filme de vida, a narradora sempre a inovar, \u201cLisboa vista da Esperan\u00e7a\u201d a premiar as m\u00e3os, as maravilhosas m\u00e3os de Mariana, que tudo sabem, v\u00eaem e transmitem. Mariana que recebe pr\u00e9mio e amor:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c \u2013 Um beijo de parab\u00e9ns, Nicha\u2026 Sabes que todos os matutinos e revistas trazem a tua fotografia a trabalhar o barro e com grande refer\u00eancia ao teu talento? Uma aut\u00eantica revela\u00e7\u00e3o!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(\u2026)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Pronto, fui promovida a cartaz e o cart\u00e3o de visita da Funda\u00e7\u00e3o e disto n\u00e3o passarei, vais ver\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Sim, minha Nicha, n\u00e3o tenhas ilus\u00f5es\u2026 Neste pa\u00eds o suporte do talento, e quantas vezes o seu criador, \u00e9 o dinheiro e a cunha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Assim \u00e9 de facto. Mas hoje estamos particularmente felizes.\u201d (Pp. 115- 116.)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Portugal e o atraso no desenvolvimento: a \u201ccunha\u201d em vez do m\u00e9rito, mas Mariana premiada, devido, sem discuss\u00e3o, a este. Distinguida por uma Funda\u00e7\u00e3o criada, em Portugal, por estrangeiros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O casal evoca a falta de apoio \u00e0s pessoas cegas e espera dias melhores:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c \u2013 A mendicidade, a m\u00fasica como \u00faltimo recurso pertencer\u00e3o ao passado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 E que luta, Naroio, tiveram que travar com o governo de Salazar para conseguirem o que conseguiram!&#8230; \u00c9 mais que justo que o seu nome fique perpetuado na Funda\u00e7\u00e3o Raquel e Martin Shain.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Sim Nicha. A Funda\u00e7\u00e3o representa um farol de esperan\u00e7a para os cegos.\u201d (P. 117)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(Uma importante institui\u00e7\u00e3o, organizada por solid\u00e1rias e sabedoras pessoas estrangeiras, no maior conforto a portugueses que dele necessitam. O que as ditaduras fazem de mal \u00e0s popula\u00e7\u00f5es: parecem acabadas mas ainda n\u00e3o, no desgaste, di\u00e1rio, contra a falta de condi\u00e7\u00f5es deixadas, d\u00e9cadas depois.)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nicha e Naroio continuam, entre o terr\u00e1queo e o maravilhoso, a esperan\u00e7a e o humor:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c \u2013 Imagina tu que quando acordei, ressoava dentro de mim, um c\u00e2ntico em tom menor, muito belo na sua singeleza. Escut\u00e1mo-lo pela primeira vez em S. Vicente de Fora, acompanhado por harpa, lembras-te?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com isto tudo, que horas ser\u00e3o, Naroio?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Digo-te j\u00e1: olha, passa um pouco dos quarenta anos!\u201d (Pp. 135-136.)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(Escreveste, Mariana, sob a forma de Pref\u00e1cio, no in\u00edcio do livro, Carta sem Endere\u00e7o \u2013 pp. 9-11. Dedicada a tua M\u00e3e. Tal Carta \/ Este Livro pode \/ deve seguir para a tua m\u00e3e-terra. Um orgulho para os naturais, habitantes, origin\u00e1rios e amigos da Mina de S. Domingos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Centro de Documenta\u00e7\u00e3o da Casa do Mineiro, na Funda\u00e7\u00e3o Serr\u00e3o Martins e a nossa Mina ficar\u00e3o mais ricos. Tamb\u00e9m com a tua Cer\u00e2mica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contribuir\u00e1s, com a pr\u00f3pria Obra que tens criado, para o ressurgimento do Interior deste Portugal, Pa\u00eds entregue a uma esp\u00e9cie de alien\u00edgenas das coisas est\u00fapidas, coitada da popula\u00e7\u00e3o.)<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Manuela Fonseca<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nota pr\u00e9via: amiga de Mariana e Manuel Balseiro h\u00e1 quatro d\u00e9cadas, foi com muita alegria que os vi receber, recentemente, a Condecora\u00e7\u00e3o \u201cBarreiro Reconhecido \u2013 Educa\u00e7\u00e3o\u201d e fiquei feliz por essa homenagem da Autarquia pela qual cumprimento todos os agraciados, nas \u00e1reas em que servem de exemplo a cada um de n\u00f3s. 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